Esta é história
de um escritor que não conseguia escrever.
Tentara tudo:
colocava música, tirava a música. Rodeava-se de pessoas, recolhia-se no
silêncio do isolamento. Dormia muito, permanecia vigilante. Fazia dietas, comia
loucamente, até não conseguir sequer premir uma tecla da sua fiel máquina de
não escrever. E continuava sem conseguir satisfazer o seu espírito criativo.
Um dia, o nosso
amigo escritor resolveu tirar a folha da máquina, fechá-la e guardá-la dentro
de um armário muito fundo e muito pouco recordado. E, nesse belo dia, tudo à
sua volta pareceu ganhar sentido – sentido e cor. O escritor abriu um belo
sorriso, afastou as cortinas que impediam a vida de entrar pelas janelas e
sentiu uma vontade enorme de sair para a rua.
Naquele glorioso
dia tudo parecia congratulá-lo. As pessoas sorriam-lhe, contagiadas pelo brilho
do seu olhar e pela luminosidade do seu sorriso. E o escritor respirava fundo,
enchendo os pulmões com a vida a que se negava havia muito, muito tempo.
Estava farto de
escrever, ou melhor, de não escrever, de não escrever o tempo todo, escravo dos
seus pensamentos, das suas angústias e melancolias. Estava farto de regular
toda a sua vida consoante a sua inspiração de não-escritor. ESTAVA FARTO!
E o nosso amigo
não-escritor entrou na primeira loja que viu e ofereceu-se para empregado. Foi
aceite e hoje é um dos tantos seres humanos que cruzam os nossos caminhos, bem
sucedidos e que, despreocupadamente, fazem parte do Mundo.
08 Novembro 1993
Às vezes a insperação vem dos lugares improváveis. E a vacação e felicdade também. Gostei muito bj MJ
ResponderEliminarSempre atenta, Maria José. Um grande beijinho!
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