Era uma vez um
Príncipe. Como todos os príncipes dos contos de fadas, este era muito bonito e
valente, mas infeliz. O Príncipe de cabelos loiros e olhos azuis ansiava por
alguém que completasse a sua vida solitária e lhe desse significado, isto é,
por uma linda e delicada Princesa, de coração puro e que, de preferência, fosse
escrava dos humores e das disposições de uma cruel madrasta, ou até de um
dragão.
Ora, o Príncipe
já percorrera meio mundo, mas não havia meios de encontrar a tal Princesa com
que sonhava todas as vezes em que deitava a cabeça na almofada da sua cama e
fechava os olhos. É claro que ainda lhe faltava percorrer a outra metade do
mundo, mas, como ainda era muito novo – o Príncipe tinha apenas dezoito anos -
, achou que tinha tempo, até porque, nos contos de fadas, todas as personagens
principais vivem até aos nossos dias, acabando sempre por nos sobreviver.
Muito triste, o
Príncipe resolveu procurar a bruxa do seu reino. Ela procurou na sua bola de
cristal, mas, para maior infelicidade do nosso Príncipe, não conseguiu
encontrar nenhuma Princesa que correspondesse às suas descrições. O Príncipe regressou
ao seu castelo e sofreu.
No dia
seguinte, voltou a procurar a bruxa. O resultado foi o mesmo. E no outro dia, e
no outro, e no outro… O resultado era sempre igual.
A certa altura,
a bruxa já estava farta. E avisou o Príncipe. Mas ele, intrépido e corajoso
como nunca houvera outro, ignorou os avisos da bruxa malvada e continuou a
busca pela sua amada Princesa, aquela por quem o seu coração tanto ansiava.
A bruxa,
contudo, tinha muito pouca paciência e, em dado momento, fartou-se mesmo.
Zangada, colocou um feitiço no Príncipe, transformando-o para sempre em sapo.
Desgostoso, o
Príncipe-Sapo fugiu para um charco muito longe do seu reino, onde ninguém o
conhecia. Este charco situava-se na metade do mundo que ele não percorrera. E,
foi nesse mesmo charco, nessa mesma metade, que o Príncipe encontrou a sua
Princesa: uma rã, filha do rei Sapo. Apaixonaram-se logo na primeira troca de
olhares, casaram, tiveram muitos sapinhos de sangue azul e foram muito felizes
para sempre, isto é, até aos nossos dias.
Uma linda história de encantar, e embora nos nossos dias cada vez seja mais difícil acreditar, é bom saber que afinal ainda existem histórias com final feliz. MJ
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